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Entretenimento #Entrevista

Gabriela Rocha, a maior diva gospel do YouTube, tem medo de dar entrevistas

A artista tem quase 6 milhões de fãs na plataforma de vídeo e aparece com frequência na playlist de famosos

14/06/2020 09h15 Atualizada há 4 semanas
Por: Redação Verguia Fonte: Metrópoles/Coluna Léo Dias
Reprodução Instagram/Perfil pessoal
Reprodução Instagram/Perfil pessoal

“Minha conexão mais direta com Deus”: é assim que Marcos Mion, apresentador da Record TV, classifica o repertório de Gabriela Rocha, cantora gospel que aos 26 anos se tornou o maior fenômeno do gênero no YouTube, superando as estrelas mais conhecidas do meio evangélico.

Ela, que se recusa a dar entrevistas, é natural de São Paulo e conhecida graças às participações no programa do apresentador Raul Gil, a artista tem quase 6 milhões de fãs na plataforma de vídeo e aparece com frequência não só na playlist de Mion, como também de Neymar, Eliana, Hugo Gloss, Simone (da dupla com Simaria), Diego Hypólito e até da ministra Damares Alves.

A titular da pasta da Mulher, Família e Direitos Humanos diz que Gabriela é “uma adoradora que quando abre a boca faz o céu descer na Terra”. Tanto sucesso não é à toa e a Coluna Leo Dias descobriu os motivos.

Mesmo com todos os princípios tradicionais e regras da comunidade evangélica, Gabriela encontrou uma brecha para agir sem parecer limitada. Ela é vaidosa, não abre mão da maquiagem, está quase sempre com as unhas pintadas e exibe acessórios chamativos com alguma frequência, como brincos em formato de argolas, por exemplo.

Esses apetrechos, comuns em mulheres no mundo externo às igrejas, nem sempre são utilizados por fiéis. Mas Gabriela se destaca entre elas e, além do talento evidente na voz, encontra na aparência jovem e atualizada, distante da estética antiquada das religiões, a chave para impulsionar a própria carreira.

Os esforços têm valido à pena. Um show de Gabriela pode ser contratado por valores acima dos R$ 15 mil, um patamar expressivo para artistas cujo público é formado fiéis e contratantes que, muitas vezes, representam congregações sem orçamentos exorbitantes.

Um pastor cuja igreja pagou por um show dela há três anos disse à Coluna que, apesar do valor, não tem do que reclamar: ao contrário de outras pessoas do segmento, Gabriela fez pouquíssimas exigências para o camarim - o que ajudou a equilibrar o orçamento diante do cachê que está um patamar acima dos outros.

Com valor bem abaixo dos atuais, o primeiro contrato que Gabriela assinou na vida foi com a produção de Raul Gil, à época na Band. Ela participou do quadro “Jovens Talentos”, muito pela influência da avó, que profetizou as aparições no concurso de calouros desde que a neta começou a cantar, aos cinco anos de idade.

Na infância, a família não tinha dinheiro para realizar os sonhos de Gabriela e Augusto, o pai da pequena cantora, trabalhava de bicicleta, sem carro, com o objetivo de fazer sobrar dinheiro para as aulas de canto.

O aprendizado durou quase uma década até a vitória na disputa do programa de Raul Gil em 2008, quando o trabalho deslanchou e ela passou a ser frequentemente acompanhada em compromissos pela mãe, Teresa.

O casamento

Em outubro de 2018, a vida mudou depois do casamento com o empresário Leandro Moreira, sócio de uma rede de escolas especializada em formação de designers gráficos e profissões da área.

Hoje, ele atua apoiando a carreira dela nos bastidores, contabiliza seus sucessos nas redes sociais e até já compôs duas canções para a amada gravar.

Os dois se conheceram no Rio de Janeiro e começaram a namorar um ano antes do casório, que aconteceu em um hotel de luxo na Itália para 60 convidados.

O início de relacionamento gerou uma fofoca entre os fãs de música gospel: circulou o boato de que Gabriela teria desviado do que pregam os adeptos ao movimento “Escolhi Esperar”, muito comum em igrejas evangélicas, e mantido relações sexuais com Moreira antes do matrimônio.

A confusão foi registrada pelo site “O Fuxico Gospel” na ocasião. Em 2017, ela teve um show cancelado na Igreja Batista Atitude, na Barra da Tijuca, após a onda de boatos. Discretos, os dois nunca falaram publicamente sobre o assunto, já que não costumam conceder entrevistas.

Eles não retornaram aos contatos feitos pela Coluna desde o início do mês.

Estilo crente do século XXI

Entre as razões que fazem Gabriela bombar, inclusive entre o público infantil, é a disposição dela para agir como influenciadora digital. Sempre vestida de forma despojada, em contraste com outras vozes femininas expoentes do gospel, ela tem a própria marca de roupas (a Loja Rocha), que sempre aparece em anúncios no seu Instagram, acompanhado por 5,1 milhões de pessoas.

A cantora também é ativa no Facebook, no Twitter e no recém-bombado TikTok, aplicativo repleto de vídeos bem humorados e informais que reforçam a maneira como Gabriela é um ponto fora da curva na comunicação com a comunidade religiosa.

Quando perguntada sobre seus hobbies, em uma das poucas entrevistas que já concedeu, não fez uma menção obrigatória à Bíblia, como quase sempre ocorre, e disse que está sempre ligada na Netflix.

A estratégia de encontrar maneiras de dialogar e parecer com os jovens e, ainda assim, manter o discurso alinhado com os preceitos evangélicos coloca Gabriela em vantagem até diante de veteranas como Ana Paula Valadão (2,7 milhões de seguidores no Instagram); Fernanda Brum (3,5 milhões de seguidores) e Bruna Karla (4,3 milhões de seguidores), de quem é muito amiga.

Ela perde apenas para Priscilla Alcântara e Aline Barros, ambas acima dos 6 milhões de fãs na rede social, mas ainda ganha da dupla no YouTube.

Também há destaque no Spotify: prestigiada pelo serviço de streaming, Gabriela foi ouvida por 4,4 milhões de pessoas, em 79 países no ano passado. De olho em uma trajetória internacional, ela regravou uma de suas principais músicas (“Lugar Secreto”) em espanhol e lançou recentemente, já durante a quarentena da Covid-19.

Lançada em parceria com a cantora americana Christine D’Clario, a produção é um feat, outra prática pouco comum no mundo gospel e muito mais utilizada na chamada música “secular” (toda as canções que não tem como objetivo adorar a Deus).

O mergulho em águas estrangeiras lembra o início da carreira. No Raul Gil, além do gospel, Gabriela cantava músicas de divas internacionais como Whitney Houston e Mariah Carey.

Depois, ela elegeu os hinos e louvores como os únicos que gravaria, sem espaço para outros gêneros. Ela justifica a escolha dizendo que as músicas seculares não “queimam no coração” como o gospel. Mas ainda ela conta com inspirações de outros países para alavancar a carreira: um de seus maiores hits, “Creio que tu és a cura”, é uma versão brasileira de “Healler”, um louvor australiano.

O padrão se repete em “Aleluia” e “Diz”, outros sucessos com versões originais gravadas por gringos.

Outra fórmula de Gabriela para continuar no auge e longe de polêmicas é fugir de posicionamentos políticos feitos de forma explícita nas redes sociais. Como já indica a proximidade com Damares Alves, a cantora faz acenos positivos sobre o governo do presidente Jair Bolsonaro, abertamente apoiado por evangélicos, mas não trata do tema publicamente.

Em abril, ela aderiu e divulgou a proposta de Bolsonaro de que o país fizesse um dia de jejum contra a Covid-19. Em sua marca de roupas, Gabriela divulga mensagens patrióticas, com uma linha de peças chamada “Pátria Amada Brasil”. Mas nada disso é feito com alarde. Afinal, entre os milhões de fãs, há gente com todo o tipo de pensamento e é impossível cultivar essa base sem estratégias.

**Com edição de Gabriel de Oliveira

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