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Viviane Oliveira
#EPI

Enfermeiros e o coronavírus: solidariedade nas redes sociais e abandono na prática

Trabalhadores dizem estar expostos devido à falta de equipamentos de proteção

24/03/2020 08h16
Por: Redação Verguia
Fonte: Redação com O Livre
Divulgação
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Por enquanto, a valorização dos profissionais de enfermagem está apenas nas redes sociais. Desde que foi anunciada a pandemia do coronavírus, eles precisam se aventurar nos plantões das unidades de saúde pública e privadas de Cuiabá e Várzea Grande sem Equipamentos de Proteção Individual (EPI).

Segundo os trabalhadores, quando máscaras e luvas estão disponíveis, a qualidade é questionável ou não atendem as normas. Outra preocupação é com relação aos profissionais inclusos nos grupos de risco, que continuam na ativa em algumas unidades.

Em Várzea Grande, por exemplo, uma enfermeira gestante só conseguiu evitar o retorno ao trabalho, no pronto-socorro da cidade, porque um médico deu um atestado justificando que a gestação era de risco.

 

Gestante teve férias suspensas e prefeitura de Várzea Grande queria que ela voltasse ao trabalho.

Gestante teve férias suspensas e prefeitura de Várzea Grande queria que ela voltasse ao trabalho.

À equipe de reportagem, ela disse que estava de férias, porém a Prefeitura suspendeu o benefício diante da falta de profissionais para atender a demanda da pandemia.

A mulher, que não quis se identificar, buscou a administração do município pedindo para ser transferida para uma unidade com a possibilidade de trabalho home office, mas proposta  não foi aceita.

Já em pânico com a situação, procurou o médico, que avaliou como inadmissível a volta aos hospitais.

Outro trabalhador da unidade reclama do excesso de restrições para o fornecimento de EPI.

Ele relata que é disponibilizada apenas uma máscara descartável por plantão e o servidor pega mediante a apresentação de um documento de identificação.

Restrições ao acesso aos equipamentos também foram registrados no Pronto-Socorro de Cuiabá – tanto na antiga quanto na nova unidade -, bem como em unidades de saúde, como foi retratado anteriormente pelo LIVRE.

Rede particular

No Hospital Santa Rosa, as enfermeiras reclamam da discriminação em relação aos médicos.

Segundo elas, os médicos estão usando capote e máscara NR95 para tratar os pacientes suspeitos e confirmados. Já os demais profissionais usam a máscara cirúrgica simples e jaleco.

 

Médicos teriam equipamentos diferenciados em relação aos usados pelos enfermeiros (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Médicos teriam equipamentos diferenciados em relação aos usados pelos enfermeiros (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre

Já no Complexo Hospitalar de Cuiabá, os profissionais reclamam da falta e também da qualidade do material. As máscaras, segundo os enfermeiros, são de TNT, aquelas usadas por cabeleireiros e em locais empoeirados.

Eles relatam ainda que a direção técnica da unidade disse que os enfermeiros não podiam andar muito paramentados para evitar o pânico entre os pacientes. Um medida também tomada no Hospital Geral Universitário (HGU).

Lá, porteiros e recepcionistas têm acesso a máscara e álcool gel, porém quem está nas enfermarias não.

As máscaras, conforme os trabalhadores são restritos e nem mesmo quem tem contato direto com os casos suspeitos tem acesso.

Negociações

Presidente do Sindicato dos Profissionais de Enfermagem de Mato Grosso (Sipen), Dejamir Soares afirma que a entidade está em negociação com o sindicato patronal e que os gestores dos hospitais concordaram em tirar do fronte os profissionais do grupo de risco.

Quanto aos equipamentos, a situação está complicada porque esbarra na falta dele no mercado.

A Prefeitura de Cuiabá, contudo, fez uma compra. Mas o produto ainda não chegou às unidades e, enquanto isso, os profissionais ficam expostos.

Em Várzea Grande, conforme o presidente do sindicato, sequer houve um acordo para a liberação dos grupos de riscos.

 

A fatal dos equipamentos de proteção no mercado seria uma das razões para o contingenciamento deles (Foto: Freepik)

A fatal dos equipamentos de proteção no mercado seria uma das razões para o contingenciamento deles (Foto: Freepik)

O que os hospitais dizem?

A equipe do LIVRE entrou em contato com todos os hospitais citados. Apenas a Prefeitura de Várzea Grande não respondeu, porém o espaço continua aberto para manifestações.

Hospital Geral Universitário

A assessoria de imprensa sustentou que não falta de EPI e que todos os protocolos do Ministério da Saúde estão sendo respeitados.

Conforme a assessoria, os trabalhadores dos andares superiores não estão em contato com pacientes suspeitos ou confirmados e, por isso, não precisam usar todos os paramentos indicados para quem está na equipe de frente: caso dos recepcionistas, porteiros e funcionários do pronto-atendimento.

Então, por uma questão de contingenciamento, levando em consideração a falta dos produtos no mercado e a perspectiva de aumento de casos, a unidade está controlando a liberação de máscaras, álcool gel e demais artigos de proteção.

A direção acredita que assim poderá manter o hospital aberto em uma situação de crise.

Complexo Hospitalar de Cuiabá

A assessoria de imprensa garantiu que todos os protocolos para o uso de EPIs estão sendo respeitados. Disse ainda que não houve casos confirmados na unidade e que os suspeitos são acompanhados de casa, quando não graves.

A assessoria também assegurou que os enfermeiros têm acesso aos equipamentos e que, no momento, a unidade tem como prioridade proteger o trabalhador porque, sem ele, os atendimento serão comprometidos.

Hospital Santa Rosa

Por meio de nota oficial, o hospital assegurou que está seguindo as orientações da Anvisa. Conforme a administração da unidade, “aos profissionais de saúde, cabe a higiene das mãos com água e sabonete líquido ou preparação alcoólica a 70%; o uso de óculos de proteção ou protetor facial; máscara cirúrgica; e luvas de procedimento para atendimentos habituais”.

Ainda conforme o hospital, os profissionais de saúde deverão utilizar as máscaras N95, FFP2 ou equivalente ao realizar procedimentos geradores de aerossóis como, por exemplo, intubação ou aspiração traqueal, ventilação mecânica invasiva e não invasiva, ressuscitação cardiopulmonar, ventilação manual antes da intubação, coletas de amostras nasotraqueais.

O Santa Rosa disse que tem orientando também que, caso participem da assistência direta ao caso suspeito ou confirmado, profissionais de apoio devem realizar a higiene conforme citado acima.

E aos profissionais da higiene e limpeza, foram acrescentados luvas de borracha com cano longo e botas impermeáveis também de cano longo.

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