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Nobel da Física

Trio de cosmólogos vence o Nobel de Física

Ulf Danielsson, membro do comitê do Nobel, anuncia ganhadores James Peebles, Michel Mayor e Didier Queloz

08/10/2019 13h33
Por: Redação Verguia
Fonte: AFP
Ulf Danielsson, membro do comitê do Nobel, anuncia ganhadores James Peebles, Michel Mayor e Didier Queloz
Ulf Danielsson, membro do comitê do Nobel, anuncia ganhadores James Peebles, Michel Mayor e Didier Queloz

O canadense-americano James Peebles e os suíços Michel Mayor e Didier Queloz foram anunciados nesta terça-feira como os vencedores do prêmio Nobel de Física por seus trabalhos em cosmologia.

 “O prêmio é metade para James Peebles por descobertas teóricas em cosmologia física e metade, de maneira conjunta, para Michel Mayor e Didier Queloz pela descoberta de um exoplaneta ao redor de uma estrela do tipo solar”, anunciou Göran Hansson, secretário-geral da Academia Real de Ciências da Suécia.

Os três cientistas, astrofísicos e astrônomos, contribuíram para “uma nova compreensão da estrutura e da história do universo”.

 “Seus trabalhos mudaram para sempre nossas concepções do mundo”, destacou a Academia.

Os trabalhos de James Peebles, 84 anos e titular da cadeira Albert Einsteins na Universidade de Princeton, “nos levam à infância do universo”, através da observação de raios de luz que apareceram 400.000 anos depois do Big Bang – ocorrido há 14 bilhões de anos – e que viajaram até nós.

O astrofísico sempre se interessou pelo cosmo, com bilhões de galáxias e grupos de galáxias. Seu marco teórico, desenvolvido durante duas décadas, se aprofunda na gênese do universo, do Big Bang até os dias atuais.

 “Seus trabalhos nos revelaram um universo do qual apenas 5% do conteúdo é conhecido: a matéria que compõe estrelas, planetas, árvores – e nós. O resto, 95%, é matéria escura e energia escura. Este é um mistério e um desafio para a física moderna”, ressalta a Academia.

Por telefone, Peebles declarou que a natureza desses elementos continua em aberto: “ainda que a teoria tenha sido inteiramente testada, devemos admitir que a matéria negra e energia negra são misteriosas”.

Michel Mayor, 77 anos, professor no Observatório da Faculdade de Ciências da Universidade de Genebra, e seu doutorando Didier Queloz, 53 anos, exploraram nossa galáxia, a Via Láctea, em busca de mundos desconhecidos.

Em Londres, onde participava de uma conferência, Didier Queloz revelou ter entrado em “pânico” ao saber do Nobel.

“Eu não estava preparado. Esta manhã era um professor de Crambridge em pé de igualdade com os meus colegas, e de repente minha vida foi completamente agitada”, declarou.

Em 1995 eles descobriram pela primeira vez um planeta fora do nosso Sistema Solar, um exoplaneta, orbitando ao redor de uma estrela solar, 51 Pegasi b.

“Ninguém sabia se os exoplanetas existiam ou não”, recordou Mayor em comunicado divulgado pela Universidade de Genebra.

“Astrônomos de prestígio os procuravam há anos… em vão!”

“De repente, enriquecemos nossos ‘zoológico’ de planetas com outros sistemas planetários: é como na medicina quando olhamos para outros animais para entender melhor o ser humano. Foi uma revolução”, explicou à AFP François Forget, planetologista do CNRS.

Desde então, a busca por um planeta com características semelhantes às da Terra, favoráveis à vida, continua.

Mas dos milhares de exoplanetas confirmados hoje, apenas alguns deles estão em zona habitável, ou seja, nem muito perto nem muito longe de sua fonte de calor, mas onde a temperatura permite que a água exista no estado líquido e onde a vida, como a conhecemos, poderia se desenvolver.

Uma temperatura bastante semelhante à da Terra.

Eles receberão o prêmio das mãos do rei da Suécia, Carl XVI Gustaf, em uma cerimônia luxuosa em Estocolmo, no dia 10 de dezembro, aniversário da morte de Alfred Nobel, inventor da dinamite e criador dos prêmios.

O Prêmio Nobel de Física do ano passado foi para um trio de pesquisadores cujos estudos sobre laser produziram instrumentos de alta precisão usados na indústria e na medicina.

Exploradores do infinitamente pequeno e dos confins celestes, o americano Arthur Ashkin, decano dos laureados com o Nobel aos 96 anos, o francês Gérard Mourou e a canadense Donna Strickland desenvolveram feixes capazes de capturar células, reparar um olho ou, eventualmente, desintegrar lixo espacial.

Depois de Marie Curie (1903) e da alemã-americana Maria Goeppert-Mayer (1963), Donna Strickland foi a terceira mulher a receber o Nobel de Física desde 1901.

Na segunda-feira, o Nobel de Medicina confirmou o domínio esmagador dos americanos nos Prêmios Nobel das disciplinas científicas ao recompensar William Kaelin e Gregg Semenza, assim como o britânico Peter Ratcliffe, autores de descobertas sobre a adaptação das células à falta de oxigênio que abrem perspectivas promissoras no tratamento de câncer e anemia.

Quarta-feira será a vez do Nobel de Química e na quinta o de Literatura, que terá dois vencedores, um para 2018 e outro para 2019, depois que a Academia Sueca, que o concedeu, adiou a premiação do ano passado em razão de um escândalo de agressão sexual.

O Prêmio Nobel de Economia, criado em 1968 pelo Banco da Suécia por ocasião do seu centenário, marcará a temporada de premiações concedidas pelas instituições suecas.

Enquanto isso, em Oslo, na sexta-feira, 11 de outubro, será entregue o prestigioso prêmio da Paz pelo Comitê do Nobel da Noruega.

Os laureados recebem um cheque de 9 milhões de coroas (830.000 euros), a ser compartilhado, se necessário, entre os ganhadores do mesmo prêmio, além de uma medalha e um diploma.

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