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Após um ano de covid, cidade pequena chega a ter 30% de letalidade

Problemas vão da subnotificação e da teimosia da população à impossibilidade de impor quarentena em garimpos ilegais

28/02/2021 01h10
Por: Redação Verguia Fonte: R7 - Marcos Rogério Lopes, do R7
Jacareacanga (PA) tem um dos maiores percentuais de infectados de todo o país - (Foto: André Tal/Record TV)
Jacareacanga (PA) tem um dos maiores percentuais de infectados de todo o país - (Foto: André Tal/Record TV)

Uma incursão por municípios pequenos do país traz novas explicações para o avanço da covid-19 no território brasileiro.

Longe da realidade dos grandes centros urbanos, cidades como Jacareacanga, no Pará, não conseguem impor protocolos de segurança em garimpos ilegais na Amazônia.  Guaraíta, em Goiás, perdeu a batalha ao tentar convencer velhinhos teimosos a ficarem em casa. E a baiana Antas se viu obrigada a monitorar, de repente, centenas de moradores que começaram a voltar de locais como São Paulo e Salvador após perderem seus empregos durante a pandemia.

Jacareacanga registra um dos maiores percentuais de infectados de todo o país, segundo o painel de acompanhamento da covid-19 do Ministério da Saúde. Mais de 21% da população pegou a doença, com 1.777 casos entre os 8.229 moradores.

Foram 33 mortes, informa a Secretaria de Saúde, ainda que o ministério registre apenas 16 em seu site.

A cidade tem quatro leitos exclusivos para pacientes de covid, mas apenas uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva).  Respirador, só um também. Se a situação clínica se agrava ou falta um local capacitado para acomodar o enfermo, ele é transferido para os municípios de Itaituba ou Santarém, ambos no Pará.

Jacareacanga não reconhece a contagem oficial da população, estimada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de acordo com a checagem de inúmeros dados, como nascimentos, mortes, matrículas em escolas, registros de emprego etc. "Só de índios temos mais de 10 mil", diz o secretário de Saúde, Alan Marcelo Simon.

De qualquer forma, 1.777 continua sendo um número alto mesmo com o dobro de habitantes. "Nós temos aqui um problema grande com os garimpos ilegais, eles se infiltram em terras indígenas ou espaços que a gente não consegue fiscalizar", explica Simon.

A cidade tem 75% de sua área de 53 mil quilômetros quadrados localizada dentro de terras indígenas.

"Se nem autuar dá muitas vezes, imagina pedir qualquer tipo de distanciamento ou regra para não propagar o vírus. É impossível", lamenta o secretário de Saúde.

Os extrativistas invadem regiões que deveriam ser protegidas para extrair ouro, principalmente, sempre em grupos grandes, aglomerados, sem qualquer proteção.

Além disso, moradores não usam máscaras e álcool gel no centro urbano por mais que a prefeitura se esforce com campanhas de prevenção.

"Proibimos festas locais, aglomerações, fechamos bares e comércio, mas no fim do ano houve um relaxamento geral. As pessoas se descuidaram de novo e o só neste ano tivemos quatro mortes."

Simon diz que o município vai endurecer as regras de quarentena nos próximos dias. "A gente tem um decreto estadual sobre o arrochamento das medidas, e já vamos colocá-lo em vigor, para que as atividades em funcionamento sejam só as essenciais de verdade e com o intuito de reduzir o fluxo da população na rua."

O Pará é um dos Estados mais castigados pela falta de estrutura de saúde do país. Até o momento, registrou 362.488 casos, com 8.519 mortes.

Guaraíta (GO)

Velhinhos sem máscara na praça: o drama em Guaraíta (GO)
Velhinhos sem máscara na praça: o drama em Guaraíta (GO) - (Foto: Pixabay)

Só agora os idosos de Guaraíta, no interior de Goiás, abandonaram o hábito de se reunir na praça central da cidade, todos os dias, para bater papo. Alguns não usavam máscara mesmo nos piores momentos da pandemia de covid-19.

Eles decidiram ficar em casa após chegarem as notícias de mortes recentes na região, tanto no município quanto na vizinha Itapuranga. 

Morreram oito pessoas infectadas pelo novo coronavírus em Guaraíta. Parece pouco, mas representa 0,4% da população de uma cidade de dois mil habitantes em que todos se conhecem. "São pessoas mais velhas, com comorbidades quase sempre e que se cuidavam pouco", conta a enfermeira Denise Marinho.

Mais dois moradores estão internados por causa da doença, um em Anápolis e outro em Rio Verde, duas cidades maiores do Estado.

Goiás, no momento, tem quase todos os leitos esgotados e está à beira do colapso no sistema de saúde.

Por telefone, Denise diz que serviços não essenciais foram fechados e o município chegou bem perto de um lockdown logo no início da pandemia, seguindo um decreto do governo estadual. Não deu certo. "Não adianta quando as pessoas continuam sem usar proteção, sem distanciamento nenhum e não aceitam ficar dentro de suas residências. Parece que não acreditavam no perigo."

O hábito de menosprezar a pandemia é bem verde e amarelo e pode ser visto em todas as regiões do país. Como exemplo, o presidente da República, Jair Bolsonaro, é contra restrições de atividades econômicas, acha o lockdown um erro e em sua última live, quinta-feira (25), afirmou que as máscaras podem até fazer mal.

Quando morreram no início do ano habitantes de Itapuranga, Guaraíta ficou com medo. O pânico aumentou com uma elevação brusca do número de casos na cidade nas últimas duas semanas. "Parece que perceberam só agora o quanto é importante tomar cuidado", observa Denise.

A cidade não tem respirador nem UTI. Quando alguém fica doente e com gravidade, mandam-no para o local mais próximo que tiver um leito: Goiânia, a capital, São Luís de Montes Belos, Trindade,  Anápolis ou Rio Verde.

Pinhal Grande (RS)

Prefeitura de Pinhal Grande promoveu ações de desinfecção das ruas durante a pandemia
Prefeitura de Pinhal Grande promoveu ações de desinfecção das ruas durante a pandemia - (Foto: Facebook/Prefeitura de Pinhal Grande)

Se teve uma regra de protocolo fácil de cumprir em Pinhal Grande, no Rio Grande do Sul, foi a do distanciamento. "Aqui, são só áreas rurais praticamente, então o povo não se encontra quase nunca', esclarece Cleonílson Antônio da Silva, chefe de gabinete da prefeitura.

Daí a explicação para Pinhal, com cerca de 4.300 habitantes ter um dos menores números de infectados no país. O painel do Ministério da Saúde marca apenas nove, com um óbito. "Não, não, tem mais, aumentou bastante esses dias. Deixa eu ver aqui e já te falo: estamos com 22 doentes", diz o chefe de gabinete

A vítima fatal foi um senhor de cerca de 80 anos que, por falta de leito em seu município, morreu em Santa Maria (RS). 

O aumento na quantidade de infectados ocorreu, acredita Cleonílson, porque as pessoas viajaram no fim do ano e voltaram contaminadas.

Entre as imposições da quarentena, o centro urbano ficou praticamente às moscas a partir de abril do ano passado e a administração municipal passou a monitorar tanto os que apresentavam sintomas quanto os visitantes do município. Mas a medida mais sentida por todos foi o cancelamento da mais tradicional comemoração local.

"Em junho, tínhamos há mais de 40 anos a Festa da Soja, famosa aqui no Estado. Dessa vez não aconteceu", conta o servidor de Pinhal Grande.

Antas (BA)

Cidade de Antas, no sertão da Bahia
Cidade de Antas, no sertão da Bahia - (Foto: Reprodução/Record TV)

Antas, na Bahia, tomou um susto quando no começo da pandemia a população da cidade de 20 mil habitantes começou a crescer. 

 "Com o desemprego em cidades grandes, como São Paulo e Salvador, antigos moradores voltaram para cá, e isso nos deixou ainda mais preocupados", recorda a coordenadora da atenção básica de Saúde do município, Christianne Karen Ferreira de Souza.

Foi logo nos primeiros meses da pandemia que morreu o único antense que não conseguiu resistir à doença causada pelo coronavírus. 

Apesar de lamentar a perda, o município, com 735 casos, tem motivos para comemorar a recuperação de quase todos os doentes. 

Além de fechar atividades não essenciais e coibir aglomerações com campanhas de conscientização, a prefeitura apostou no acompanhamento passo a passo dos infectados.

"Desde o início a gente está numa luta constante contra a covid. As pessoas que chegavam de fora, ficavam em isolamento, assim como todos os pacientes. Montamos também um centro de atendimento exclusivo para a pandemia, que centralizou as informações sobre a cidade inteira", explica Christianne.

Cerca de 30 profissionais de saúde que tinham outras funções no serviço público passsaram a atuar no trabalho de monitoramento. "A gente acompanha os sintomáticos de forma mais atenta. Entre o sétimo e o décimo dia, pior período da doença, ficamos ao lado do enfermo. E isso foi essencial para  reduzir os óbitos", acredita.

Se o caso exige equipamentos mais sofisticados ou uma UTI, o paciente é mandado a Salvador ou Tucano, cidade a 82 quilômetros dali.

A Bahia tem o terceiro maior número de casos entre todos os 27 entes federativos, com 669.821 registros. São 11.488 falecimentos.

A subnotificação de casos de covid prejudica o acompanhamento de doentes e acaba distorcendo os dados oficiais. Ou porque os testes faltam na rede pública ou por serem caros demais na particular, as pessoas infectadas simplesmente não aparecem nas estatísticas.

Nilópolis (RJ)

Medição de temperatura em Nilópolis
Medição de temperatura em Nilópolis - (Foto: Instagram/Prefeitura de Nilópolis)

Em Nilópolis, no Rio de Janeiro, mais de 12% dos infectados morreram: 305 de 2.442 casos. Proporção alta, mas que está longe de ser a maior do país. Em São Vicente do Sul (RS), faleceram 5 dos 17 doentes, um percentual de 29,17%, 

A taxa de letalidade brasileira é de 2,5%.

O prefeito da cidade, Farid Abrão, foi vítima de covid-19. Ele teve morte cerebral no dia 11 de dezembro de 2020, aos 76 anos. 

Abrão foi também presidente da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis, que decretou luto oficial.

A prefeitura de Nilópolis alega, em nota, que os números de mortes e doentes são baixos levando em conta a população estimada de 162.693 pessoas. 

A administração local explica que o município é bastante populoso, com 19 moradores por metro quadrado, o que dificultou o trabalho de contenção do vírus. 

A cidade criou barreiras sanitárias - uma espécie de blitze , na qual agentes de saúde vão a pontos com bom movimento e tentam encontrar casos suspeitos, que passam a ser monitorados -, fez a desinfecção das praças, ruas e estabelecimentos locais.

A falta de locais para tratamento foi um problema nacional que também se viu em Nilópolis, que não tem hospitais estaduais ou federais com leitos de internação.

"Vale destacar que o Estado sofreu por falta de leitos para covid-19 por conta de atrasos [em obras] e fechamento dos hospitais de campanha", justifica a prefeitura.

O Rio de Janeiro é um dos Estados mais devastados pela pandemia nacional, com 32.771 mortos (atrás apenas de São Paulo, que teve 58.873 até sexta-feira, dia 26).

No total de casos, o Rio é apenas o sétimo colocado (579.118), indício claro de subnotificação: 5,66% dos doentes foram a óbito.

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