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Brasil #Megaroubos

Crime organizado mostra a organização e força com uma sequencia de megaroubos

Um recente assalto a banco em Criciúma e o mais recente no Pará, não é os primeiros nem serão os últimos; ataques de grande porte revelam evolução do novo cangaço

02/12/2020 16h04
Por: Redação Verguia Fonte: Redação com Estadão Conteúdo
Destroços de caminhão queimado em frente a batalhão de polícia após assalto a banco em Criciúma (SC) 01/12/2020 REUTERS/Guilherme Ferreira Foto: Reuters
Destroços de caminhão queimado em frente a batalhão de polícia após assalto a banco em Criciúma (SC) 01/12/2020 REUTERS/Guilherme Ferreira Foto: Reuters

O recente megaroubo não é o primeiro nem será o último. Faz parte de um gênero criminal criado há vários anos e tem alguns contornos daquilo que se convencionou chamar de Novo Cangaço.

Nessa modalidade, surgida há uns 15 anos no Norte e no Nordeste, quando um grande grupo de criminosos invadia uma pequena cidade, com um ou mais bancos movimentados, aprisionava os poucos policiais, efetuava o assalto e fugia antes da chegada de reforços.

Como sempre acontece, o modus operandi dos criminosos evoluiu. Em 2016, começaram os ataques a transportadoras de valores no interior paulista. E a forma de agir se sofisticou. Sempre com efetivo de mais de 30 integrantes, a atividade dos ladrões foi se especializando.

Alguns, os melhores atiradores, cuidam da polícia. Outro grupo é destacado para invadir o local do armazenamento do dinheiro e transportar os valores. Um terceiro segmento, talvez o mais especializado, cuida dos explosivos necessários.

E dois ou três ficam no comando da operação.

Na maior parte das vezes eles têm mais de uma tática para impedir a polícia de agir. Normalmente cercam o local com carros roubados e/ou jogam estrepes para furar o pneu dos veículos que se aproximarem. Segundo o noticiário desta vez teriam inovado, pondo pessoas sentadas no meio da rua.

Essa modalidade prosperou.

Em 2017, ocorreram vários desses ataques, incluindo um milionário feito por brasileiros no Paraguai. Quando as transportadoras de valores começaram a deixar menos dinheiro em seus depósitos, esse tipo de crime passou a ter como alvo locais menos visados – simples bancos.

Ou seja, o modelo se adaptou e popularizou.

Segundo entrevistas feitas com policiais civis de São Paulo, os primeiros eventos foram patrocinados pelo PCC, mas não da forma como supõem alguns. Não foram crimes planejados e comandados pela cúpula. Eles foram idealizados por membros que tiveram apoio logístico do Primeiro Comando da Capital. O que significa que a organização criminosa forneceu armamento pesado, alguns contatos e ajudou na aquisição, por meio de furto ou roubo, dos veículos empregados na fuga.

E por conta desse auxílio ficou com uma porcentagem do espólio.

E, como sempre acontece no mundo do crime, quando uma fórmula dá certo logo vários outros tentam empregá-la. Foi assim com o sequestro nos anos 90. Os primeiros, bem planejados, deram resultado e o crime se popularizou.

No final, segundo um policial civil, a coisa estava tão relaxada que quadrilhinhas sem nenhuma estrutura sequestravam pessoas e “escondiam debaixo da cama no barraco da tia”.

E chegou uma hora em que a polícia, que é um órgão burocrático como qualquer outro, aprendeu a investigar essa modalidade criminosa. Ai a pressão sobre os criminosos aumentou, vários acabaram sendo presos e o tipo criminal caiu em desuso.

Até aparecer outra modalidade.

O ciclo de aprendizado do novo tipo de crime – aumento da incidência-aprendizado policial-repressão - queda nos índices – existe pelo menos desde a criação da polícia profissional.

E está em curso com as saidinhas de banco e as explosões de caixas eletrônicos, por exemplo.

A iniciativa sempre parte do mundo do crime e a repressão policial sempre corre atrás. Isso não tem a ver com determinada polícia ser boa ou ruim. Ocorre por todo o mundo. E a grande questão é fazer com que esse gap entre a criação de um novo crime e sua repressão diminua.

O primeiro megaroubo foi em abril de 2016, em Santos.

De lá para cá já ocorreram vários outros em cidades médias e grandes e até no exterior. Isso dá a ideia errônea de que eles são fruto sempre do mesmo grupo. Na verdade, não é bem assim. Os delinquentes profissionais aprendem tanto pela participação nos crimes quanto por meio de conversas, na cadeia ou fora dela.

Portanto, o mais provável é que indivíduos que participam de um desses assaltos ganhem know how e passem a montar o próprio grupo de assaltantes.

E aí a bola de neve cresce até a polícia também ganhar expertise e parar a avalanche que desponta no horizonte. (Estadão Conteúdo)

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Papo Reto
Sobre Papo Reto
Papo Reto no contidiano, uma visão extremamente pessoal e imparcial. Héliton Batista é ex-militar, boina verde, Capelão, redator, repórter fotográfico, especialista em sistemática de segurança eletrônica, pai por 4 vezes, esposo. Entre outras experiências de vida.
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